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Cachaça: Um prazer brasileiro que conquista a Europa

Originária do Brasil, pouco depois da sua descoberta em 1500, a história da cachaça se confunde com a História do Brasil. Os protagonistas dessa invenção são a Cana-de-Acucar, o Escravo Africano e o Imigrante Português que, juntos, numa Terra de Indios, criaram a bebida que mais simboliza o espírito descontraído do brasileiro.

Passando por altos e baixos, vivenciando nesses 500 anos situações políticas, econômicas e sociais positivas e negativas, que serviram para fortalecer a sua estrutura, a cachaça saiu da Senzala dos Escravos e hoje está presente em todas as Classes de Mesa do Mundo, conquistando especialmente a Europa e a Alemanha, que são os seus maiores importadores.

Há várias versões que tentam explicar o surgimento do nome “cachaça”. A mais lógica e coerente afirma que o nome se origina do espanhol “cachaza” que, bem antes de 1500, na Península Ibérica, denominava uma bagaceira de baixa qualidade. A palavra “cachaça” pode ser considerada como um brasileirismo que teve o seu uso generalizado entre 1600 e 1700 para denominar a nossa Aguardente de Cana.

Embora haja diferentes estórias para explicar como se deu o início da destilação da cachaça no Brasil, a mais coerente atribui a paternidade aos imigrantes portugueses. Conhecedores do processo de produção da bagaceira – destilado do mosto fermentado da do bagaço da uva – trouxeram alamiques de Portugal e passaram a destilar o resíduo do caldo-de-cana, utlizado para fazer o açúcar, conhecido como”borra” ou “garapa azeda”, que deixava os escravos alegres e dispostos, devido, certamente, ao seu conteúdo alcoólico.

Com o tempo, a produção se espalhou pelos engenhos de Sao Paulo e Pernambuco, saíndo das senzalas – habitação dos escravos – e invadindo as casas-grandes, tornando-se uma bebida comum e importante no Brasil-Colônia, não apenas por ser apreciada mas também pelo seu papel econômico. Por concorrer com o Vinho do Porto e com a Bagaceira, a Coroa Portuguesa terminou por proibí-la durante um certo período no Brasil.

Durante os movimentos separatistas ocorridos no período da colonização portuguesa, a cachaça era símbolo de nacionalismo e de democracia, sendo consumida pelos revoltosos para demonstrar patriotismo, renegando os produtos vindos de Portugal. Após a libertação dos escravos em 1888, a cachaça passou pelo seu período mais triste, servindo, devido ao seu baixo custo, de alimento e lenitivo para os escravos que perambulavam pelas ruas sem ter mais o abrigo dos patrões.

Após um longo período de decadência, durante o qual passou a ser vista com preconceitos, como bebida de “pinguços”, “paus-d’água” e “cachaceiros”, a cachaça teve nova ascenção, quando foi escolhida como a bebida oficial da Semana de Arte Moderna de 1922. A partir daí, passou a inspirar cantigas, trovas e rezas, sendo tema de sambas, frevos e serestas, como parte integrante da realidade histórica e social brasileira.

Hoje, beneficiando-se dos avanços tecnológicos e da globalização da economia, das modernas iniciativas e técnicas agrícolas e produtivas, a elaboração da cachaça experimenta avanços significativos em qualidade e apresentação. Como resultado desse movimento de âmbito nacional, a cachaça está ocupando espaço em bares e restaurantes do país, deixando para trás a pecha de bebida pouco nobre. Ao mesmo tempo, o exigente mercado internacional vem também se rendendo ao charme da mais brasileira das bebidas. Ao servir de base para aperitivos como batidas de frutas e a “Caipirinha”, que representa a descontração do povo brasileiro e o sabor nacional, a cachaça tornou-se mais um ícone do Brasil para o mundo, juntamente com o Carnaval e o Futebol.

Na Europa e, principalmente na Alemanha, a Caipirinha passou a fazer parte dos cardápios da maioria dos restaurantes e bares, podendo ser consideranda como o drinque da hora, preferido pelo público de todas as idades. De forma silenciosa, percebe-se que a cachaça , na sua forma pura de consumo, passa a figurar entre os digestivos oferecidos, destacando-se entre tradicionais, como conhaque, vodka e schnaps, ganhando cada vez mais a preferência do consumidor europeu.

À sua saúde!

Autor: Jairo Martins da Silva
São Paulo, 15 de maio de 2008



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