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Anno 2008 – Os portos de todo o mundo se abrem para a cachaça brasileira

Originária do Brasil, pouco depois da chegada dos portugueses em 1500, a cachaça tem uma história que se confunde com a do nosso país. Passando por altos e baixos, vivenciando, nesses 500 anos, situações políticas, econômicas e sociais favoráveis e desfavoráveis, que serviram para fortalecer a sua estrutura, a cachaça saiu da senzala dos escravos que construíram o Brasil e hoje está presente em todas as classes de mesas do mundo.

Pode parecer uma mera coincidência, mas tudo indica que o ano de 2008, quando se comemora 200 anos da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, também irá marcar a abertura dos portos de todo o mundo para a nossa brasileiríssima cachaça, que já conquista a Europa, as Américas e se desloca sorrateiramente para os países asiáticos.

Sao perceptíveis os resultados já alcançados através das atenções dos Governos Federal e Estaduais para a regulamentação da produção, juntamente com as iniciativas dos próprios produtores, que desde o início da década de 90, beneficiando-se dos avanços tecnológicos e da globalização da economia, vêm investindo em técnicas agrícolas e produtivas, bem como em qualidade e apresentação dos produtos.

Com uma produção anual de cerca de 1,5 bilhões de litros, distribuída entre os cerca de 40.000 produtores e 4.000 marcas industriais e artesanais espalhados pelo Brasil, gerando quase 1000 postos de trabalho diretos e indiretos, pode-se dizer que a cachaça, no mercado nacional, já tem posição consolidada. No mercado internacional entretanto, embora presente em mais de 70 países, ainda há muito o que fazer, principalmente para tornar o nome “cachaça” conhecido, como já é o da “caipirinha” hoje mundialmente. Mas, tudo indica que estamos próximos desse feito e que 2008 será o ano internacional da cachaça.

No Brasil, o sucesso dos últimos eventos já ocorridos neste ano, como a Feira Brasil Cachaça, em Sao Paulo, a 11ª. ExpoCachaça, em Belo Horizonte, Festival da Cachaça de Salinas, em Salinas, a Cachaça Fest, em Castelo do Piauí, e a Feira Internacional da Cachaça, no Rio de Janeiro, demonstra que a cachaça está deixando o anonimato e a sua pecha de bebida simples de botecos e passa a mostrar uma nova cara para o Brasil e para o mundo.

Além da inovação na apresentação dos seus variados e criativos recipientes e rótulos, a qualidade e as características sensoriais têm experimentado avanços significativos. As preocupacoes dos produtores em atender as legislações vigentes, referentes aos parâmetros químicos da cachaça, preservação ambiental e responsabilidade social, demonstram que o segmento está encarando seriamente o desafio de tornar a cachaça “a bebida do século”, com identidade brasileira e postura internacional.

A profissionalização do setor é visível. O surgimento de diversos cursos técnicos, de graduação e pós-graduação, de capacitação de pessoal para o processo produtivo e para o empreendedorismo da cachaça, atesta esse fato. Um claro exemplo disso é a iniciativa inovadora da Universidade Anhembi Morumbi que, mantendo o seu pioneirismo e tradição nas áreas de Gastronomia, Turismo e Hospitalidade, está oferecendo, desde o primeiro semestre de 2008, o curso superior de Tecnologia de Bebidas. O curso se propõe a colocar no mercado de trabalho profissionais qualificados e cada vez mais especializados, que tenham conhecimento dos processos tecnológicos, não somente de produção, mas também de planejamento, organização, operação, serviço e avaliação de bebidas. No decorrer dos dois anos de duração do curso, serão vistas diferentes bebidas alcoólicas e não-alcoólicas, sendo o grande enfoque para o vinho, a cerveja, a cachaça, a água e o café.

Aproveitando o retorno recente ao Brasil do executivo da Siemens, Jairo Martins da Silva – “o engenheiro cachacista”-, que residiu e trabalhou durante 3 anos em Munique , na Alemanha, autor do livro “ Cachaça: o mais brasileiro dos prazeres”, Susana Jhun, coordenadora do curso da Anhembí Morumbí, não perdeu tempo e entregou a “Cadeira da Cachaça” ao especialista internacional em destilados.

Pouco antes da sua viagem de volta ao Brasil, Jairo conseguiu a façanha de introduzir na programação oficial da Münchener Volkshochschule – uma espécie de Universidade do Saber – o curso “Cachaça und Caipirinha: Kultur und Genuss aus Brasilien” (Cachaça e Caipirinha: cultura e prazer do Brasil). O primeiro curso sobre cachaça fora do Brasil foi ministrado em Munique no dia 27 de abril de 2008, para um público variado de jovens e veteranos, composto de alemães, austríacos, dinamarqueses e , logicamente, alguns sulamericanos saudosos, do Brasil e do Chile, que preencheu todas as vagas. O sucesso do curso foi tal que a Volkshochschule já agendou mais cursos para dezembro deste ano. Mesmo residindo a partir de maio em São Paulo, Jairo permaneceu como professor visitante da Volkshochschule, devendo voltar semestralmente a Munique para dar aulas de cachaça. A oficialização de um curso regular sobre cachaça na Europa foi um passo decisivo para a “venda” do nome “cachaça” no exterior, que já está familiarizado com a “caipirinha” – o drinque da hora!

Durante a sua estada de 3 anos no continente europeu, Jairo teve a oportunidade de proferir várias palestras e conferências, além de conduzir degustações da bebida, principalmente para mostrar, ao outro lado do Atlântico, que a cachaça também pode ser apreciada pura, como aperitivo ou digestivo, e não apenas na forma de caipirinha e batidas de frutas. Em uma das suas viagens a Lisboa, deparou-se com a Confraria Clube da Cachaça – CCC – filial portuguesa da confraria de Brasilia, tendo sido convidado para proferir palestra e fazer uma tarde de autógrafos do seu livro.

E, como se todos esses acontecimentos já não bastassem, o ano de 2008 está ainda sendo marcado pelas comemorações dos 70 anos de existência da Pitú, que nascida no agreste pernambucano, em Vitória de Santo Antão, está presente nas mesas de restaurantes e bares de todo o mundo, sendo hoje a maior exportadora de cachaça e a grande responsável pela internacionalização da caipirinha.

Assim, a tradicional bebida brasileira, de origem humilde, e que mais simboliza o espírito descontraído do povo brasileiro, concebida por acaso nos idos de 1532, tendo como principais protagonistas a cana-de-açúcar, o escravo africano e o imigrante português, está fazendo o trajeto inverso ao da Família Real Portuguesa, não para fugir das Guerras Napoleônicas, mas para abrir os portos europeus e consolidar a sua presença no Velho Mundo.

Á sua saúde!



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